Este texto não tinha a intenção de ser um artigo, foi criado como uma simples postagem para o Telegram e o X.
No entanto, diante de sugestões, foi aqui republicado.
No artigo “Os Primitivos do Futuro” ou “Os Documentadores Musicais”, publicado em 2021, fiz um breve resumo de quão raro é um conjunto musical como os Les Primitifs du Futur. Especifiquei músicos, instrumentos e outras características incomuns. Para este texto, porém, basta retomar uma frase: “são músicas que ‘transportam’ os apreciadores para diversos lugares em diversas épocas”.
Pois, em maio deste ano, 2026, o grupo lançou o álbum Les Crimes du Musette, tornando possível provar, em 2 minutos e 29 segundos, que a frase acima não é mero recurso retórico. Esta é a duração da faixa 22, Ukulélé Lady, uma releitura charmosa de um standard da música americana de 1925, originalmente composta por Richard A. Whiting e Gus Kahn. A letra desta gravação foi reescrita em italiano por GP Cremonini, e os arranjos foram criados por Fay Lovsky.
Em toda música Cremonini surge apenas como uma voz falada, enquanto Tania Zoppi e Fay Lovsky fazem um belo contraste com seus cantos femininos. Juntos, eles montam uma pequena e empolgante cena.
A música inicia e imediatamente somos transportados para um Havaí imaginário. Em seguida, o homem (interpretado por GP Cremonini) inicia suas falas quase como quem narra um sonho. Daí seu caráter tão diferente — deliberadamente exagerado e sedutor. Esse “sonho” parece acontecer em um lugar distante daquele em que o narrador se encontra.
Quando as vozes femininas entram, funcionam como uma espécie de resposta, encantamento e provocação ao narrador. Talvez elas sejam, como todo o resto, apenas imaginação: vozes de sereias do próprio sonho.
O ukulele é o instrumento central dessa fantasia, tocado por Tony Truant, enquanto o violino, de Laurent Valero, completa a textura musical.
Ouça e transporte-se para um Havaí imaginário, repleto de praias, exotismo, sedução e um leve humor.
Por Eric M. Rabello.
Nota da editoria:
Capa:
A imagem da capa é um recorte da obra: “Garota Havaiana com Ukulele”, de Wade Koniakowsky. Para mais detalhes, clique aqui.
Referência:
Livreto oficial do álbum Les Crimes du Musette. Para acessá-lo, clique aqui.






















